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Pais coerentes em suas palavras e ações, os filhos aprendem a lição

Quando você sabe, vocêsabe! Quando chegou a hora, chegou a hora! Não existem dúvidas nem perguntas. Você será capaz de fazer o que for necessário: agir ou admitir que não quer agir. Quando estiver iniciando a chamada paternidade responsável, deve ser capaz de distinguir entre o que sabe e o que foi escrito por outras pessoas no seu roteiro. Também haverá ocasiões em que se acha que sabe, que chegou a hora, que sabe o que precisa ser feito, mas não tem certeza do que é ou de como fazê-lo. Segredo: mantenha-se em contato com seu coração e com sua mente. Assuma o controle! Tome as rédeas dos pensamentos, dos sentimentos, do medo. Dê-se tempo para sentir e pensar. Livre-se de seus antigos padrões de comportamento, para proporcionar felicidade a você e a seus filhos.

Não faz muito tempo, ao ler um artigo, o colunista narrou que um dia seu filho chegou em casa exultante. Afinal, não é sempre que se tira dez em física. Ele percebeu, porém, que o professor havia se enganado na correção. Qual não foi a sua surpresa quando o menino lhe disse que não poderia de forma alguma apresentar o erro para revisão, porque "ninguém devolve nota". Foi preciso muita paciência para convencê-lo. Tinha medo das gozações dos colegas.

Às vezes É um fato corriqueiro que nos faz perceber quantos dilemas difíceis as crianças têm de resolver até que se tornem adultos íntegros. Não faz muito tempo, ser um bom menino significava, como dizia o palhaço Carequinha, não fazer pipi na cama nem fazer má-criação; concluir o trabalho de casa com capricho; deixar o quarto mais ou menos arrumado; não falar palavrão; dirigir-se com respeito aos mais velhos; tarefas, enfim, razoavelmente simples de serem aprendidas. Isso porque valores como honestidade e integridade não estavam ainda em discussão.

Ser um "bom menino", hoje, significa não apenas saber o que é certo ou errado, mas também conseguir se opor a atitudes (bem freqüentes) que contrariam os princípios norteadores da sociedade - o que não é nada fácil nem para adultos, quanto mais para crianças e jovens.

Opor-se ao grupo e fazer escolhas adequadas demanda um forte grau de segurança. Significa que nossos filhos têm de estar certos, em primeiro lugar, de que solidariedade, justiça e honestidade não estão fora de moda. Precisam, acima de tudo, acreditar que, mesmo quando parte dos homens não respeita esses princípios, não há mínima condição de vivermos com segurança sem eles.

Como convencê-los, no entanto, se a TV, as novelas, as atitudes de muitos adultos, os jornais, alguns programas humorísticos e até certas músicas os bombardeiam com mensagem antiéticas? Como convencê-los, se parte dos colegas com os quais convivem quebra vidraças desrespeita os mais velhos, destrói o mobiliário das escolas ou dirige sem carteira aos 16 anos, por vezes com a anuéncia dos responsáveis?

Criar adultos dignos depende de dois fatores: a maneira pela qual nós, pais, vivemos o dia-a-dia e a confiança que temos nos valores que norteiam as nossas ações. Ou seja, é necessário não só sermos íntegros, mas também não duvidarmos da força de nossos princípios. Quando crianças e jovens percebem nos seus mais fortes modelos (nós, seus pais!) segurança inabalável na retidão, na cooperação, na honra - independentemente do que estejam fazendo vizinhos, parentes e amigos -, eles provavelmente também acreditarão. Se, ao contrário, os próprios pais começam a afrouxar seus conceitos, em que vão seus filhos acreditar? Por que e para que vão lutar?

O perigo maior para um jovem não são as drogas, mas não crer no futuro e na sociedade em que vive. A falta de esperança, essa sim, é que pode levar à depressão, ao individualismo, ao consumismo exacerbado, ao suicídio, à marginalidade e às drogas.

Na maioria dos casos, a forma de viver dos pais será suficiente para que os filhos acreditem nos valores essenciais. Quer dizer, não mentindo, não aceitando uma conta errada no restaurante, chegando na hora combinada aos encontros, respeitando a lei, não disseminando amargura e descrença. Afinal, seus filhos podem constatar - estão vendo! - que vocês vivem de acordo com o que defendem.

Por fim, é bom lembrar que é quase certo que nossos filhos oporão alguma resistência ao que defendemos – e isso acontecerá em especial quando chegarem à adolescência. Não nos deixemos iludir pelas aparências - não desanimemos! Eles estão lutando para se “independentizar” e o significado disso pode ser ficar contra tudo (literalmente, tudo, para nosso desespero) que nós, pais, postulamos.

Ainda que seja difícil acreditar, nossas lições nunca são inúteis. Enquanto essas atitudes forem coerentes com nosso discurso estaremos promovendo a base à qual eles retornarão quando a época da rebeldia terminar. Mesmo quando parece que não nos ouvem nem vêem é a nossa integridade que serve de fundamento para nossos filhos, hoje e sempre.

Você é filho de Deus? Certo! E seu filho é filho de quem? De Deus? Acertou novamente! Deus foi o primeiro “terceirizador” do universo; os filhos são todos Dele. Mas você, por opção, aceitou a tarefa. Portanto, deve cuidar de seus filhos e exercer uma paternidade responsável.

Enquanto não temos a consciência disso, nos concentramos em tentar descobrir o que “acabou de acontecer” e por que está nos afetando tão profundamente e com tanta freqüência. A única forma de consertar um relacionamento amargo com nossos filhos é admitir que está faltando algo essencial e se dispor a descobrir qual é esse ingrediente. Que tal raspar o fundo da caneca e começar tudo de novo. Tudo o que fazemos, todos os procedimentos educacionais que praticamos na paternidade responsável, nos preparam e nos aproximam da grande experiência do amor-próprio e do amor total e incondicional pelos nossos filhos.

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